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Data: 22-09-2011
TerceiraQuarta com Filosofia
A partir da segunda metade do século passado que (ao menos nos meios acadêmicos) Maquiavel, o “filósofo da liberdade”, começou a ganhar reconhecimento em detrimento do “conselheiro de tiranos”. Impulsionada inicialmente pela publicação de estudos no campo da história do pensamento político, a interpretação republicana de Maquiavel passou a insinuar-se também no campo da teoria política normativa. Segundo o prof. Ricardo da Silva, O Príncipe já não aparece mais como a visão autorizada dos ideais políticos do autor, e obras outrora menos freqüentadas e valorizadas, como a História de Florença e, sobretudo, os Discorsi, vêm passando para o primeiro plano das exegeses.
 
O professor Ricardo procurou radicalizar o elemento democrático (popular) do republicanismo de Maquiavel. Em uma série de estudos recentes, John McCormick vem argumentando que mais do que uma teoria da república como o império da lei, há, em Maquiavel, uma “teoria da democracia” equipada para superar as limitações das teorias dominantes, tanto nas versões liberais e minimalistas, como nas versões participativistas e comunitaristas.
 
Enfim, a obra de Maquiavel segundo o Prof. Ricardo não pode ser compreendida mais como um campo de disputas ideológicas, com recursos que podem servir a interpretações rivais, mas sim como um repositório de fatos e evidências textuais e contextuais à espera do historiador desinteressado.
 
Foi um momento de reflexão e aprendizado.
 
 

 

Fonte: Pe. Silvano Costa
 
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